O assunto tatuagens e trabalho é frequentemente discutido quando falamos em entrevistas, apresentações e primeira impressão no serviço. Quem cresceu nas décadas de 1980 e 1990 sabe o peso negativo que têm a relação do emprego formal e a tatuagem.

Entretanto, felizmente as percepções das pessoas sobre o assunto passaram por mudanças e as leis trabalhistas vieram como uma maneira protetiva para prevenir a discriminação que aos poucos diminui. Inclusive, já há estudos que mostram que a tatuagem em determinadas empresas podem ser uma vantagem competitiva.

A partir desses aspectos, produzi este conteúdo pensando em você e nas dúvidas que esse assunto pode gerar. Ficou curioso? Segue a leitura e mantenha-se informado!

O que mudou com o passar do tempo?

É preciso reconhecer: a tatuagem tem história. Com o passar do tempo, as formas do ser humano lidar com as marcas no corpo mudaram, assim como as finalidades desses registros corporais. Por exemplo, de acordo com a National Geographic, a tatuagem estava presente nos egípcios que habitava o norte da África e nos maori da Nova Zelândia, entre outras comunidades, e representava status ou a passagem de uma fase na vida. 

Os romanos, diferente de outros povos, não faziam tatuagens. Eles acreditavam que os símbolos no corpo não contemplavam pureza humana. Com o passar do tempo, influenciados por outras tribos, principalmente pelos guerreiros bretões que registravam marcas na pele como uma forma de honra, a percepção dos romanos sobre tatuagem se alterou. 

Como é a visão atual sobre a tatuagem?

No nosso mundo contemporâneo, houve um processo semelhante ao vivenciado pelos romanos. Há alguns anos a tatuagem era vista como algo reservado às pessoas que eram consideradas “transgressoras” diante das normas da sociedade.

Entretanto, com as mudanças sociais e econômicas dos últimos tempos, as tatuagens passaram a ser vistas como uma maneira particular do ser humano de levar consigo uma marca sobre um momento, uma situação ou mesmo alguém significativo. 

No trabalho, muitas pessoas procuravam esconder as tatuagens de forma que não fossem notadas. Contudo, hoje em dia o número de pessoas com essa marca é tão grande, que fica difícil encontrar alguém que não tenha uma tatuagem.

O preconceito ainda existe?

Não podemos negar que o preconceito sobre o uso de tatuagens tem diminuído muito. Algumas são aceitas, mas o tradicionalismo ainda existe e, às vezes, pessoas que têm uma quantidade maior de tatuagem podem ser notadas com um olhar desconfiado. 

É importante se lembrar de que, por vezes, líderes, colegas de trabalho ou colaboradores não se importam com as tatuagens, porém, os fornecedores ou os clientes da empresa podem ter um senso mais tradicional e trazer julgamentos prévios. Por isso, é bom estar atento à situação de trabalho e às pessoas envolvidas. 

O que diz a lei sobre as tatuagens no trabalho?

Apesar de ainda haver a discriminação pela adesão das tatuagens, não existem leis que regulamentam diretamente esse caso. Contudo, de acordo com o artigo 482 da CLT — Consolidação das Leis de Trabalho — tatuagem não é justificativa para demissão. Caso algo ocorra, pode ser levado a processo por danos morais, pois é inconstitucional.

Em relação a isso, muitas empresas que lidam com clientes mais restritos, pedem aos seus colaboradores que tampem as tatuagens com esparadrapos ou meias-calças durante o horário de trabalho. 

Já quem lida com ramos em que a diversidade é uma ferramenta de ampliação da empresa, como maquiagem, marketing, empresas de arquitetura, design ou setores de comunicação, tem suas escolhas mais respeitadas, pois muitos já compreenderam que tatuagens são marcas particulares e não definem a capacidade do ser humano.

A tatuagem é um “diferencial” no mercado?

As tatuagens ainda são vistas como transgressoras. Entretanto, eu gostaria de destacar o lado positivo dessa história, pois o seu uso pode ser até um “diferencial”, dependendo da atuação do profissional na empresa em que trabalha. 

Em determinados ramos do mercado de trabalho, preferencialmente os mais modernos e competitivos, as tatuagens podem trazer vantagens, pois como o professor Michael French afirma, os gerentes de contratação que continuam a discriminar os candidatos a empregos com tatuagens devem se contentar com um grupo menor de candidatos qualificados.

Esse é um dos grandes motivos para que muitos estigmas em relação à tatuagem tenham se desgastado, especialmente com a inserção dos jovens capacitados e cheios de energia no mercado de trabalho.

Quais cuidados ter?

Muitas questões são importantes e determinam a primeira impressão que uma pessoa terá de nós. A tatuagem é um dos aspectos, existem outros como entonação, linguagem corporal, adequação dos vestuários, contato visual e comportamento.

As tatuagens são uma particularidade e assim como as roupas são uma forma de transparecer a individualidade. Por isso, dependendo da escolha e da carreira, é importante ter alguns cuidados para não ser afetado negativamente. Veja quais!

Procure uma área que se encaixe com o seu perfil

Quando estamos procurando um emprego, em primeiro lugar, desejamos encontrar algo que esteja de acordo com o nosso perfil e com a tatuagem essa escolha se torna mais importante ainda. 

Existem algumas áreas, como já dito, que apresentam pouca resistência quanto aos desenhos ou marcas na pele. Empresas criativas, inovadoras, adeptas de novas ferramentas tecnológicas e que valorizam a diversidade já entenderam o recado. Por isso, buscam cada vez mais se identificar com os jovens profissionais para alcançar o que há de melhor dentro deles.

Conheça as regras do trabalho

Quando nos candidatamos para uma empresa ou determinada vaga é necessário conhecer o histórico daquele lugar e saber quais são as regras que normatizam o comportamento das pessoas no ambiente. 

Por isso, faça pesquisas, procure relatos de profissionais que já trabalharam naquela área. Assim você terá mais segurança sobre como ponderar todo o comportamento e a aparência de maneira que não perca a sua personalidade. 

Com certeza, no mercado atual, ter tatuagens pode ser um desafio, porém, posso perceber que a conquista foi grande nos últimos anos. Portanto, quando você ouvir a frase “vai fazer uma tatuagem? Você não sabe que pode acabar com sua carreira?”, saiba que a realidade não é mais assim. Essa história ficou para trás.

O importante mesmo é ter equilíbrio, investir em imagem, novas habilidades, competência e fazer o possível para se tornar uma pessoa influenciadora. Assim, quem sabe a tatuagem no trabalho até se torne uma marca de atitude e criatividade.

Notou como o assunto tatuagens e trabalho já não é mais um tabu como antigamente? É importante falarmos sobre isso e evidenciarmos algumas conquistas da diversidade nas empresas.

Então, lembrou-se de alguma experiência a respeito desse assunto? Deixe o seu comentário e compartilhe a sua opinião comigo e os demais leitores!

Rachel Jordan é uma referência no mercado brasileiro de Consultoria de Imagem e Comportamento. Ministra cursos, oficinas e workshops por todo Brasil e online. É colunista da Claudia online, colaboradora de sites de comportamento e estilo.

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